ÁS VEZES A VIDA SE OCULTA EM UM TRAÇO DE SONHO ...

...

se escreve para não esquecer
para ser eterno
se escreve porque se está enfermo
de amor...
de tristeza...
de raiva


se escreve às vezes por partes
outras vezes em canto
se escreve rindo
chorando
tremendo
forte
mas se escreve

se escreve tudo
ou somente algo
mas se escreve

Ama-se igual.

idiomas.

minha incompreensão

soluciona

a linguagem doce

de tuas mãos.

inconveniências

sabia que se levantasse

a vista

ele a olhasse

seu corpo arderia

instantaneamente......

o que sobra

o reverso da ausência

não será presença

pálido inverno

de uma neve

já derramada

anjos de memória caída

não haverá palavra

nem perdão.

alheia

alheia a nosso naufrágio

definitivamente enterradas

no limbo da memória

baixo a espessura

do esquecimento

descansam nossas palavras

tão carinhosas e apaixonadas

desaparecendo-se em silêncio.

...

um sopro
uma carícia
teu roce sábio

e

alquimista

guarda a fórmula que me contém.

...

Nascer
e desde a primogenita raiz
não voltar

na memória
a lembrança da carne
a origem

e no voo
o esquecimento provável
e talvez o retorno impossível.

no sepulcro dos céus

bramam silêncios

de pétalas silábicas

como colares férteis

nos alumbramentos

que calam as chuvas.

silêncio eloquente

...na persecução dos ventos...

no silêncio

dorme

o fulgor implícito das vozes.

síntese

...nosso dom

fazer chorar o poema

enquanto as mãos

jogam com as relíquias.

escrever

...com o mais profundo silêncio
escrever da maneira que seja
com minha verdade mais atroz
a gritos calados e versos noctâmbulos

andar como quero
andar do avesso
com a raiz para o ar

desperdiçar palavras
arrancar desculpas...alvoreceres
premonições...madrugadas sem razões

perigo no irremediável sem nada alterar
dissolver-me no aperto
na melancolia do improvável...inverosímil

sentir as feridas
começar a viagem ao passado
pronunciar-me
declarar-me
alegação de mim

apalpar a mesma raiz de uma dor que cresce
gigante que deixa qualquer corpo diminuto.

arrancados

Vamos indo...

de um lado para o outro

arrancados pela raiz

por uma garra incompreensível

que estrangula sem compaixão

tudo aquilo que fomos.

...

Bebo do movimento

da geometria

...que sacia

minha garganta

corroída pela sede.

...

Como os sonhos

somos somente sombras

e às vezes luzes

que florescem no silêncio.

o tempo e a dor

Toda dor torna-se flor...

se transforma em algo belo

do contrário tornar-se-ia

um saco de pedra na alma

impossível de carregar

o tempo é sábio

...muito mais que nossas feridas.

Nunca é tarde
para o fulgor
do relâmpago

nem para um ocaso
bordado
de redenção.

...fala
o silêncio

fogo minusioso
que deletrea

a palavra
escritas das noites.

...

Fazem ninho com sua mão
e ao outro o dão de beber

No impulso se amorna
porque fria nasce a água
da gruta da mente.

...

Em tarde obscura

desfazemos

prazeres

tato

e doçura.

despertar do silêncio

Mudo silêncio

perpétuo espaço inquebrável

felpudo tapete

onde a comodidade sagaz se alimenta

e o medo passeia na ponta dos pés


Quando vomitarás a gritos
toda a raiva contida.

poesia

E sobram as palavras
___


Deixe-a que se recite

que surja livre

da alma do poeta

sem marcos que a limitem...

que voe no ar

isenta de rima

livre e desatada

abraçando mais além

de seu berço

e de seu versar.

além da pele

Sábia e tremenda dor

que cabe onde mais dói

um rompimento

um suspiro


...voltam

a servir de residência

extenuando paixão.

águas feridas

Oceano profundo

submergido entre ondas

que nos tapam e nos cobrem

oceano ilimitado

como os sentimentos

que respiram entre as almas.

frágil

Vagamente amanhece

frágill luz
que desnuda
a sombra

até a ilusão
da próxima noite.

sem flores

o jardim

...despovoado

inclusive dos olhos

que alguma vez

o sonharam.

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